domingo, 15 de julho de 2012

Ciclos da vida...

leia ouvindo: Ne Me Quitte Pas - Maysa


“Não pode banhar-se duas vezes no mesmo rio”, pois na segunda vez já não será o mesmo, uma vez que aquela água já se foi, e é outra… Você pode banhar-se no mesmo rio diversas vezes. Entretanto nunca poderá banhar-se na mesma água daquele rio duas vezes. Você poderá entrar no mesmo rio diversas vezes. Mas você nunca será o mesmo, a cada vez que nele entrar.

 Assim como a água de um rio que passa por uma pequena região, numa pequena cidade ao longo de diversas gerações, somos nós. A cada dia temos novas experiências acerca de nós mesmos e estas experiências fazem com que sejamos diferentes momento a momento. As pessoas sempre crêem que não mudam. Que como pedra são estáticas, sólidas, impenetráveis. Mas somos água corrente. Algumas vezes límpidas e transparentes e noutras, barrentas e lodosas. Em alguma parte de nossa vida tornamo-nos sólidos e gelados, noutras ficamos líquidos e úmidos. Há estágios mais avançados em que a temperatura e o estado se alteram, e transformamo-nos em vapor, em gás, em pleno estado de sublimação.

As pessoas crêem que são o rio. Mas esquecem que o rio é a água que nele corre e que sem o leito, os vales, as chuvas e temporais nada mais existiria no local além de um vale seco. Muitas pessoas se transformam num vale seco. Outras, numa lagoa de água estagnada e mal-cheirosa.

 O que faz de nós rios caudalosos, nutridores e belos?
Justamente a certeza que somos água e não o rio. A certeza que sempre estaremos exercendo nossa função enquanto seres humanos. Mas que para chegarmos à sublimação, teremos que nos desapegar do estado de gelo sólido. É a certeza que, mesmo estando passeando ao redor do mundo, feito nuvem, esperando a hora de voltar a ser líquida, temos dentro de nós nossa essência, nossa natureza diferenciada e igual a todos os demais seres humanos.


(desenvolvimento do pensamento de Heráclito de Efeso)




8 pensando comigo.:

cleber eldridge domingo, julho 15, 2012 9:08:00 PM  

Eu nem sei bem se interpretei da maneia certa ...

@JayWaider segunda-feira, julho 16, 2012 11:53:00 AM  

É, é verdade isso dae. Mas eu prefiro Sartre.
Ele afirma que o homem é apenas o nada, ou o nada se fazendo no mundo e sempre caminhando em direção a sua nadificação completa. É só uma re-leitura contemporânea do tudo flui de Heráclito.
Falei, que sei ahahahahha sei!
E não vai me dizer que não entendeu! (:
2 beijos!

Gusta Fernandes segunda-feira, julho 16, 2012 1:04:00 PM  

Hey @JayWaider, se eu concordasse com esse pensamento de Sartre seria contra o de Efeso, por isso acredito serem pensamentos distintos. O homem é algo que se modifica. O nada é intacto continua sendo nada, sempre. Acredito que o nada seja o inicio de tudo mas, não consigo acreditar na manutenção desse estado. Tudo muda, sempre.

"Um homem não é outra coisa senão o que faz de si mesmo" (J.P.Sartre)

Se o homem se faz de nada, sempre será um nada, e caminhará continuamente a nadificação completa.

Em efeito metafórico a nadificação do Sartre é uma bela crítica ao homem e seus valores, um verdadeiro tapa na cara da sociedade! kkkkkkk...

FOXX segunda-feira, julho 16, 2012 11:48:00 PM  

adorei, parabéns!

@JayWaider terça-feira, julho 17, 2012 10:31:00 AM  

Heehehe Concordo. A única coisa que o Heráclito esqueceu de dizer é q o devir caminha sempre para o seu fim. Se o homem é o que ele faz de si mesmo. Ele não é o resultado do que a sociedade faz dele. Acredito que o homem insensato se deixar levar pela proposta da sociedade. Eu já me livrei disso. Quero amor, quero liberdade. Quero nadar e flutuar no mundo, por que estou aqui de passagem. Não vou levar nada dessa sociedade, tenho apenas o amor de meus amigos (incluindo vc) Não vou construir pra deixar pra trás, eu quero usar, me divertir. A terra é o meu lar, os braços de quem me ama é o meu aconchego. (Sem ilusões né?kkkkk) quero dizer que não posso me deixar escravizar pelo projeto de vida que a sociedade quer que eu tenha.
2bjos

Gusta Fernandes terça-feira, julho 17, 2012 11:03:00 AM  

Sim, justamente. Mas a mudança não se enquadra só em valores impostos pela sociedade, e sim o aprendizado com suas próprias experiências. E é isso que faz de você, Jay, uma pessoa livre. Tudo o que você vive/viveu, aprendi/aprendeu faz com que você modifique a cada momento.
A nadificação é um conceito que acredito que deva ser dado a cultura. Existem pessoas que começam como nada e caminham para o nada, vivendo a verdade alheia, coisas que a sociedade impõe.

Efeso fala de alma, mudanças mínimas, fala de escolhas, rancor, mágoa, amor, viver em função do passado... coisas que a nadificação de Sartre não incluem no pensamento, na minha opinião.

@JayWaider terça-feira, julho 17, 2012 11:14:00 AM  

É verdade, existem pessoas que vivem sendo o que Sartre afirma: resultado das escolha dos outros. (Quando você deixa outro escolher por vc, vc se torna aquilo que ou outro escolheu) Assim vão caminhando sendo apenas reflexo de uma sociedade vazia de sentido e significado.
Tão distante de nossa sociedade contemporânea, talvez Heráclito tenha concebido apenas essas nuances. Não vou entrar no mérito do existenciliasmo sartreano de novo. Extamente porque ele não nos deixaria vislumbrar o que já vislumbramos: a realidade está em movimento contínuo e descontínuo. Entende?
Nossa isso aqui já virou um FORUM hehehehehe

Gusta Fernandes terça-feira, julho 17, 2012 11:56:00 AM  

Virou um fórum... hahaha....

Ambos os pensamentos se limitam a uma etapa, acho que você também percebeu. Sartre limita-se ao inicio e fim, Efeso limita-se ao meio.

Hoje sou Efeso por viver o meio mas, quando estiver bem velhinho (se eu não morrer antes, é claro) vou citar Sartre, apesar de achar dura a tese do "morreu virou nada" hehehe...

Você sabe, sou sentimentalista, romântico nato. Não curto esse realismo "morreu, morreu, acabou"... mesmo acreditando que seja isso o que acontece.

"A coerência é a virtude dos imbecis." - Oscar Wilde

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